Amazônia tem só uma espécie de pirarucu, maior peixe de água doce da América do Sul, aponta estudo

Nova pesquisa conduzida por cientistas brasileiros concluiu que o sistema Amazonas-Solimões abriga apenas uma espécie de pirarucu, o Arapaima gigas, maior peixe de escamas de água doce da América do Sul, que pode chegar a 3 metros de comprimento e pesar 200 quilos.
A descoberta contraria estudos publicados em 2013 que sugeriam a existência de até cinco espécies diferentes de pirarucu na região. Os resultados foram publicados na revista científica Neotropical Ichthyology por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e da Universidade Federal do Amazonas (UFAM).
A pesquisa analisou 90 exemplares coletados ao longo de mais de mil quilômetros da bacia Amazônica, em quatro regiões: Alto Solimões, rios Juruá e Purus e baixo rio Amazonas. Desse total, 82 peixes passaram por análise morfológica, com registro fotográfico, e 70 também tiveram o material genético examinado.
Os resultados indicam que as diferenças físicas observadas entre os indivíduos — como tamanho dos olhos, número de dentes, formato das nadadeiras, altura do corpo e quantidade de vértebras — representam apenas a variação natural de uma única espécie, e não evidências da existência de outras.
Segundo o pesquisador Valdenor Magalhães, autor do estudo, as características avaliadas não seguem um padrão que permita separar grupos distintos de pirarucus.
“Essas variações individuais que vão desde tamanho do olho, quantidade de dentes, comprimento e formato de nadadeiras, altura do corpo e até mesmo a quantidade de vértebras, não seguem um padrão que nos permita agrupar ou identificar outras espécies morfológicas”, afirma, de acordo com reportagem da Agência Bori.
A conclusão tem implicações importantes para a conservação do pirarucu, considerado o maior peixe de água doce da América do Sul. Há alguns anos, a espécie chegou a níveis críticos de quase extinção devido à pesca predatória. No entanto, projetos pioneiros de manejo sustentável na Amazônia reverteram essa tendência e, hoje, a população de pirarucus tem se recuperado aos poucos.
Embora seja classificado como vulnerável em sua área de ocorrência natural, na Amazônia, a espécie também é vista como invasora em outras bacias hidrográficas brasileiras, como as dos rios São Francisco e Paraná, onde pode causar impactos sobre a biodiversidade local.
Além da importância ecológica, o pirarucu é um dos principais recursos pesqueiros da Amazônia e representa fonte de renda e de segurança alimentar para milhares de comunidades ribeirinhas. Por isso, compreender sua diversidade genética e sua distribuição é considerado fundamental para orientar estratégias de manejo e conservação.
De acordo com Magalhães, a confirmação de que existe apenas uma espécie reforça a necessidade de manter e ampliar os programas de exploração sustentável já adotados em diversas áreas da Amazônia.
“Por ser uma espécie de topo de cadeia alimentar, o pirarucu desempenha um papel ecológico fundamental para o equilíbrio dos ecossistemas onde ocorre naturalmente, principalmente predando e controlando a população de outras espécies. Preservar a espécie explorando-a de modo sustentável, como ocorre no sistema de manejo, é uma forma de preservar também o seu papel ecológico”, conclui.
Por Um Só Planeta
Foto: Adriano Gambarini/OPAN – Divulgação






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